Eu era novo demais pra lembrar da vitoriosa Copa de 1994. Quer dizer, lembrar dela ao vivo, porque meu pai não se cansava de falar dela e porque já tinha assistido a gravação da final umas mil vezes. Desde minha mais tenra idade eu já conseguia compreender que aquilo era muito importante para todos os brasileiros e que o Brasil era a melhor seleção do mundo. Falaram tanto isso, que quatro anos depois, quando eu já era velho o bastante, ninguém duvidava que o Brasil fosse ganhar a Copa de 98. Afinal, era a melhor seleção, campeã do mundo, e ainda tínhamos Ronaldo, que na época nem de Fenômeno era chamado. Era certo. E depois daquela partida sofrida contra a Holanda então, decidida nos pênaltis, a certeza pareceu aumentar ainda mais. Mas todos lembram o que aconteceu. O Brasil não perdeu para a França, foi subjugado por elas. 3 a 0 e ainda tem que ficar feliz por não ter perdido por mais. O Ronaldo, maior esperança do time, jogou tão mal que parecia que havia acabado de conhecer uma bola. Enfim, o ego dos brasileiros ficou lá embaixo e por anos só se comentava em uma revanche do Brasil com a França.
Depois dessa Copa a seleção brasileira caiu ladeira abaixo. Começou a empatar em amistosos com times insignificantes, como Venezuela e Chile, e mal ganhava contra as seleções mais fortes. Quando chegou na copa de 2002 ninguém mais acreditava. Diziam que o Brasil ia sair na primeira fase, e eu não duvidava nem um pouco disso. A seleção mal tinha se classificado!
Com o passar dos jogos vi a seleção crescer, atropelar a Inglaterra e vi florescer pouco a pouco a mesma confiança nas pessoas que conheço e nas em quem eu nunca tinha visto na vida pelo time do Brasil. Por algumas horas esquecíamos dos nossos problemas e nossas diferenças e nos uníamos para formar uma corrente positiva. Eu sei, estou divagando aqui. E na luta, chegamos na final, com a seleção mais temida da Copa, que só tinha levado um gol até ali: a Alemanha. Ironicamente, Ronaldo (agora sim, Fenômeno) não marcou um, mas dois. Lá se ia o fantasma a última copa. Até chegarmos na copa de 2006...
A copa de 2006 foi a que menos me marcou. A seleção foi tão apática, que não sinto nada quando lembro dela. Só me lembro que confirmamos nossa vocação para ser freguês da França.
Agora estamos nas quartas-de-final e apesar da euforia nacional da goleada acachapante em cima do fraquinho do Chile, eu ainda acho que é mais fácil, e até mais merecido até o momento, que a Argentina ganhe. Claro que torcerei para o Brasil e tudo, mas não serei eu a gritar já e agora que o Brasil vai ser hexa e tá acabado. Que já é campeão. Prefiro deixar isso pra depois da final.





