17 de jul de 2011

Um bom emprego


Ao contrário do que a grande maioria das pessoas pensam ser um narrador de histórias é apenas uma profissão como qualquer outra. Tão comum e sem glamour quanto ser padeiro. Duvida? Me diga na minha cara quantos narradores você entre seus amigos, na sua família? Viu só? Permanecemos anônimos na sociedade! Os escritores, essa calhorda de fanfarroês, icam com todo o crédito! E, no final, nem podemos revelar nossos nomes ao público. É só pegar aquela mixaria que eles pagam e sair de fininho. De preferência sem ser visto.
Apesar das péssimas condições de trabalho, existe um orgulho intrínseco entre os narradores na arte de contar histórias. Poucas são realmente boas, mas quando são! É como se os firmamentos dos céuis fossem demolidos, todos de uma só vez, e um milhão de anjos tocassem a mais divina música apenas para nós. Tanto isto é verdade que sempre realizamos em fins de dezembro um encontro mundial de narradores, com fins de dividirmos nossas experiências com outros colegas de profissão. Sem falar que é uma rara oportunidade de reencontrar grandes contadores, do passado e do presente, como Magnus, da Ilíada e Odisséia, Albert Fish, Moby Dick, Aloísio Ferreira, Dom Casmurro, entre centenas de outros.
O quê? Não, não e não. Os narradores de O Coração das Trevas e Guerra e Paz, não. Esses caras são uns chatos!
Por menor reconhecimento e dinheiro que ganhemos nada nos faria abandonar essa profissão. Nem por um dia, muito menos por toda a vida. Diante de tal prazer, o fato de atrasar o aluguel todo mês até passa despercebido.

18 de abr de 2011

Camisas de grandes autores

Bukowski


Jack Kerouac

Kurt Vonnegut




 
H. P. Lovecraft


Edgar Allan Poe


Anne Rice


Stephen King




Douglas Adams



Camus



Chuck Palahniuk



 

25 de nov de 2010

Medos de infância

De certas formas, eu fui uma criança diferente da maioria. Não era comunicativo, nem fazia o tipo que não parava quieto. Era apenas fechado, solitário às vezes, introspectivos. Daquele tipo de crianças capazes de passar despercebidas em determinados ambientes. Talvez essa característica minha tenha contribuído em parte pelo meu gosto pelo mórbido, pelo bizarro, pelo horror. Entenda, esse gosto não foi espontâneo. Não liguei a TV um dia e descobri que ver gente sendo morta era divertido. Foi um tanto que imposto. Desde que me conheço por gente meu pai e minha irmã viam esses filmes e liam os livros. E acabei entrando nesse mundo sombrio.
Então meu comportamento quieto começou a me afetar. Em geral, quando uma criança sente medo começa a chorar pelos pais e pede para deixar a luz do quarto acesa. Eu não conseguia fazer nada disso. Só fechava os olhos com o máximo de força por medo de abri-los e ver uma Coisa me espreitando sob o véu da escuridão. Simplesmente, não conseguia externalizar esses medos, boa parte oriundo de filmes, para conseguir combatê-los. Superá-los.
Hoje, meus medos se limitam ao de ser assaltado, de perder o emprego, coisas do gênero. Mas, em alguns momentos, consigo encontrar obras tão poderosas, que conseguem abrir com toda a fúria os portais atrofiados da imaginação infantil e trazer de uma só vez todos os meus temores de infância. Alguns destes são.

Escuridão

O medo do escuro provavelmente é o mais inerente ao ser humano, com ecos dos nossos antepassados primatas. Somos seres que dependem sobretudo da visão. Afinal, nosso olfato e audição não são lá essas coisas se comparado com a de um cachorro. Na pré-história quando  anoitecia perdia-se a visão quase por completo e se ficava exposto a todo tipo de predador noturno. A solução para a sobrevivência era se reunir em grandes bandos em cavernas ou em outros lugares fechados.
Graças a urbanização o medo do escuro, ou melhor, do que possa se ocultar no escuro, já não afeta mais tanto quanto no passado. Podemos tranquilamente prolongar a iluminação até a hora que quisermos. O único momento em que sentimos uma inquietação é quando falta energia.
É exatamente nas crianças que esse medo resiste. Em mim resistiu bravamente e talvez até hoje resista, mesmo quase sem forças. Uma sombra de árvore já ea motivo para pânico. Além desse tipo de monstro  ainda tinha de encarar a idéia de que os seres famosos pelo filme poderiam estar por ali, rondando a minha cama. Rindo baixinho, sádicos como só esses caras conseguem ser. O máximo que podia fazer era tenta dormir.
Ex: Lovecraft foi o cara que melhor conseguiu traduzir em palavras o medo do escuro. A impressão que me dava, enquanto lia, é que ele realmente o enfrentava. Toda maldita noite!

A Criatura debaixo da cama

Posso estar enganado, mas creio que toda criança tinha medo de que um monstro se escondesse debaixo da cama. E com toda a razão. A cama é onde nos despimos de nossas armaduras, retiramos nossas proteções e podemos ser pegos o mais desprevenidos possível: enquanto estamos dormindo. Nenhuma criança consegue imaginar bem as feições da criatura debaixo da cama. Só sabe que têm medo dela.
Ex: A minissérie The It, inspirado no livro homônimo de Stephen King, traduz bem isso. Um garoto é sugado para a morte por braços de um ser que se escondia sob sua cama.

Espíritos

Dentre todos os arquétipos do terror (depois explico isso em outro texto) o mais eficiente para mim é o fantasma. Seja em livros como o obrigatório A Volta do Parafuso e no excelente Ghost Story, ou em filmes como o Sexto Sentido (que nem é terror, mas tudo bem), a sensação de medo é muito maior do que a de um monstro mal feito ou um psicopata sem objetivo.
Quando era criança a existência de almas vagando por aí não era mera superstição. Entenda, nunca acreditei em Papai Noel, Coelho da Páscoa ou nesse tipo de coisa. Os fantasmas eram minha imersão num tipo de fantasia que meus pais nunca se preocuparam em me apresentar. Por isso, temia vê-los se abrisse os olhos durante a madrugada, ou no reflexo do espelho do banheiro. E sempre associava acontecimentos estranhos a eles. Objetos caindo sem ninguém chegar perto, portas se fechando sozinhas. Vultos então, nem se fala. Via em todos os lugares. Depois quando finalmente estava deixando de me preocupar com esse tipo de coisa minha irmã acorda e diz que viu um espírito caminhando pela casa na noite anterior. Depois minha família se mudou para uma casa onde três pessoas haviam falecido. Parecia até combinado.
Ex: Depois de adulto tudo ia bem. Já nem precisava mais ligar todas as luzes da casa só pra ir ao banheiro a noite. Até que assisti a produção tailandesa Espíritos. Por semanas a fio voltei a sentir tanto medo de espíritos quanto na infância.

24 de set de 2010

Capas de Laranja Mecânica

Muitas vezes, quando o livro é pouco conhecido, nada é mais capaz de chamar a atenção do leitor do que a capa. É a partir dela que se lê o resumo da história, folheia-se as páginas e se decide se vai lê-lo ou não. Alguns romances conseguem uma fama e importância tão grandes que ganham dezenas de capas diferentes ao longo dos anos, das edições e dos países em que são publicados. Com A Laranja Mecânica não foi diferente e por isso (e porque é o livro que atualmente estou lendo) fiz este post demonstrando algumas.



 A atual capa nacional


 Essa é de longe a pior capa
















Agora deixa eu ir ler A Laranja Mecânica, um livro bem horrorshow, enquanto ouço a quinta sinfonia de Beethoven.