20 de abr de 2010

Gripe zumbi

No começo, ninguém levou muito a sério tudo aquilo. Mortos voltando à vida? Bobagem! Uma senhora mordeu a própria filha, mas todas diziam que era louca e que já havia tentado matar os filhos duas ou mais vezes. Por isso ela só foi dopada e levada ao hospício, local onde jamais saíria. Após isso, a filha atacou os irmãos, que atacaram amigos e parentes, e assim sucessivamente.
Já corriam boatos de coveiros que tinham o seu trabalho interrompido por morots que começaram a se erguer das suas tumbas, os vermes e insetos ainda espalhados pelo corpo, os cabelos ralos, a pele suja e putrefata. Mas ninguém conseguia acreditarl Quando surgiam imagens e vídeos na internet mostrando o terror que nasciam a maioria das pessoas julgava serem só fakes dos muito bem produzidos.
Até que a Veja fez a sua primeira reportagem sensacionalista sobre os acontecimentos nefastos, o Jornal Nacional mostrou que Nova York, Paris, Roma e outras catorze cidades já estavam quase que totalmente tomadas pelos mortos-vivos. Já a Folha de São Paulo noticiou que era só questão de tempo até que a epidemia chegasse ao Brasil. Nas ruas só se comentava isso e em blogs e no twitter abundaram piadinhas sobre a nova doença.
O Ministério da Saúde tentava informar a população sobre como proceder com a doença. "Atire na cabeça", "Foi mordido? Mate-se enquanto é tempo", "Suba em lugares altos", "Evite puteiros", essas e outras recomendações eram passadas exaustivamente por todos os meios de comunicação. Até uma vacina foi criada para tentar conter o avanço da doença, mas os jovens se recusaram a tomá-la, tendo em vista casos pessoas que passaram mal ou se tornaram mortos-vivos por causa dela. Alguns ainda afirmaram que tal enfermidade não existia.
Em meio ao caos, um estúdio de cinema anunciou que gravaria um filme enfocando a infecção. Invés de gastar com maquiagem e figurantes colocariam atores para fugir de zumbis de verdade. O último que sobrevivesse consequentemente se tornva o protagonista da produção. Tal processo de filmagem era chamada de hiper-realismo e prometia revolucionar a forma de se fazer filmes.
Enquanto este turbilhão de acontecimentos prosseguam, a enfermidade avançava mais e mais, até se tornar algo cada vez mais comum, tão banal quanto uma gripe comum. Mas que, infelizmente, ainda daria muito a que se comentar.

2 comentários:

  1. Muito bom! Eu ri bastante

    Ficou bem legal a relação que você fez com a vida real!

    Vacina, revistas, twitter, blogs, jornais, filmes...

    "O último que sobrevivesse consequentemente se tornava o protagonista da produção."

    Você ja assistiu Dead Set? Lá o sobrevivente ganhava o programa.

    Esse hiper-realismo é em 3D?



    Isso daria um curta metragem bem legal, eh!

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  2. Muito legal o texto falando de Jornal Nacional e Twitter. Fiquei com gostinho de quero mais, escreva mais textos nesse genero gostei bastante, valeu

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