31 de mar de 2010

Como o capitalismo afeta a arte





Cinema
O Cinema vive a maior crise de criatividade de seua história. São remakes, adaptações (HQs, games, séries e até brinquedos!), reboots, reimaginações, reaproveitamento de idéias, etc. Tudo só porque é muito mais seguro financeiramente falando investir num material conhecido e com uma base larga de fãs do que se arriscar em algo completamente novo. Ou seja, a indústria do cinema está indo para o ralo por causa da preocupação dos executivos em encher os bolsos. Cinema hoje, na maioria das vezes, é só mais uma forma de negócio.




Livros
Havia um tempo em que era praticamente impossível viver só de escrever. Era necessária uma carreira paralela para não passar fome. Ainda assim surgiram livros que são admirados até hoje. Já nos tempos atuais é possível ganhar milhões com um romance. Até quem não sabe escrever o próprio nome direito está lançando um, geralmente celebridades vazias e suas auto-biografias. Agora eu pergunto: Quantos dos livros que ficam na lista de mais vendidos tem realmente chances de ser considerado um clássico no futuro? Pois é. Explicarei resumidamente minha teoria sobre isso.
O processo de criação de um livro começa, óbvio, na cabeça do aspirante a escritor. Ele põe a história que imaginou no papel, reescreve trechos, revisa umas 200 vezes até confiar que o seu livro está realmente bom. Acabada esta fase ele começa a mandar cópias do livro que nem um condenado para todas as editoras que conhece. Se por um milagre o livro for lido e alguma editora ver potencial nele chamarão o escritor para discutir sobre sua obra. Lá ele, todo pimpão por saber que será publicado, descobre que terá que reescrever todo o seu livro conforme as ordens da editora. Elas vão de correções em pontas soltas, frases inteiras retiradas, trechos importantes e que tinham uma mensagem que o autor queria passar são excluídos, personagens modificados, o final alterado. A editora está pouco ligando se o livro ficará bom ou não, ela quer que venda. Dependendo, no final deste processo o romance ficou irreconhecível e ruim. Por isso procuro alternativas às editoras, quase sempre na internet.

Comics
Os quadrinhos americanos são presos à uma cronologia interminável, que requer um conhecimento enciclopédico por parte dos leitores sobre os personagens, que só os nerds são dispostos a obter. Consequência? Esses gibis ficam presos a um público restrito enquanto os mangás vendem várias vezes mais e já até existe uma lista de mangás mais vendidos no New York Times. Editoras como a DC e a Marvel tentam reverter a situação. Matam e ressuscitam personagens todo santo dia, fazem "reformas" nos heróis para trazer de volta os leitores antigos (voltar com o Wolverine usando o pijaminha amarelo quando até nos filmes ele já usava a roupa de couro é inovação?), criam megassagas que envolvem mais de cinqüenta revistas só para aumentar as vendas, crossovers, etc. Sinceramente, acho que eu me sentiria um trouxa se ainda lesse esses quadrinhos. A DC e Marvel na sua competição tola para ver qual é a melhor (para mim estão tudo no mesmo barco atualmente) fazem os comics perderem boa parte da graça. Eles tem que torcer para que seus personagens em versão infantil conquistem as crianças e criem futuros leitores, se não vão cair ainda mais com o tempo.

Música
Prejudicada pelos downloads feitos ilegalmente a indústria fonográfica consome mais suas energias em punir os infratores do que em pensar em uma alternativa de negócio eficaz. Mas não é bem sobre isto que eu quero falar. Pense que uma banda envia para uma gravadora um CD com suas músicas.Um produtor curte o som, mas diz que eles precisam fazer "algumas" mudanças. Não só nas músicas, mas na forma de se vestir, falar e de se comportar dos integrantes. O produtor não quer saber de riscos, e quanto mais os integrantes da banda forem permitindo as mudanças, mais as músicas ficam sem ousadia e inovação nenhuma, puro mais do mesmo. Vai ver é por esse motivo que eu gosto tanto de bandas independentes.
Na música clássica é bem pior. Praticamente, não são lançadas obras originais, apenas regravações em novas roupagens. "Mozart para bebês", "Beethoven por tal maestro", "Bach no violino", etc. O pior de tudo é que ainda vendem bem.


Mangás
Na mais concorrida indústria de quadrinhos do mundo o artista só consegue ser publicado se dominar as técnicas dos mangás, tiver uma história interessante e fácil de ser explicada e traço que permita uma leitura rápida e de fácil entendimento do que acontece nas páginas. Suponhamos então que um mangaká consiga publicar na mais célebre e concorrida antologia do Japão, a Shonen Jump. Ele pode até criar algo original, mas se for rejeitado pelos leitores seu mangá será cancelado da revista. Com medo disso a maioria dos artistas prefere não arriscar, usando um traço comum, entupindo suas histórias de clichês e fórmulas gastas (um protagonista de coração puro e ingênuo, de pouca habilidade, mas com muita disposição para vencer). Se o mangá fazer sucesso a sede de grana da editora e do autor o empurrará por uns trinta volumes ou mais, mesmo que a qualidade seja prejudicada no percurso. Quem sai perdendo são os leitores, como sempre.

Animes
Presos à uma crise tão grande que quase não são lançadas animes originais. Geralmente, são adaptações de mangás, games ou de light novels (romances ilustrados e de leitura rápida). Tudo porque os executivos se cagam de medo de ficar no prejuízo e optam por investir em materiais já conhecidos. Custa fazer algo que eu já não tenha lido num mangá? 
Eles deviam acrescentar algo às tramas, e não copiar cena por cena, e depois acrescentar dezenas de episódios que não existem na obra original só pra encher lingüiça.






É claro que eu poderia falar sobre outras formas de arte. Mas vamos parar por aqui.



Um comentário:

  1. Quero ver falar da pintura/escultura contempoânea, da fotografia, da dança...

    =P

    ResponderExcluir